O frio em certos católicos



Tenho lido nos últimos dias as polêmicas geradas pela inclusão dos 21 mártires coptas no Martirológio. É mais do que óbvio que isso não tem a menor validade, seja porque Francisco não é mais Papa, seja porque a Igreja não pode julgar o foro íntimo de ninguém - como eles morreram pertencendo a uma seita, isso é tudo o que a Esposa de Cristo pode inferir sobre os mesmos. 

Dito isso, causa-me estranhamento quando certos católicos, no afã de defender a reta doutrina, jogam, sem mais nem menos, textos como esse, do Concílio de Florença:

A Santa Igreja Romana, fundada nas palavras de Nosso Senhor e Salvador firmemente crê, professa e prega que todos os que estão fora da Igreja Católica, não somente os pagãos, mas também judeus ou hereges e cismáticos, não podem participar na vida eterna e irão para o fogo eterno que foi preparado para os demônios e seus anjos, a não ser que eles sejam ingressados à Igreja antes do fim de suas vidas; que a unidade deste corpo eclesiástico é de tal importância que somente para aqueles que permanecem nele, os Sacramentos da Igreja contribuem para a salvação, e que façam jejuns, caridade e outras obras de piedade e práticas da milícia cristã [que] produzem recompensa eterna; e que ninguém pode se salvar, não importa o quanto tenha dado em esmolas e mesmo que tenha derramado seu sangue em nome de Cristo, se não tiver perseverado no seio e unidade da Igreja Católica (Concílio de Florença, 1442, Sessão 11, Bula Cantate Domino, Den. 714).

O conceito e intensão do texto de Florença, matizado posteriormente, se refere apenas ao cismático e herege formal. E quando alguém não esclarece isso, o que fica parecendo é que se está diante de uma pessoa completamente fria e formalista, pois qualquer um que sabe dos fatos não tem praticamente nenhuma dúvida que os 21 mártires são mártires reais, apenas a Igreja é incapaz de declarar isso. 

Essas pessoas desconhecem que Jesus é o "Deus que chorou"? Que gente estranha!

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